Lançada no dia 12 de junho, data da abertura da Copa do Mundo de Futebol, a campanha “Na Copa, não esqueça” da Anced/ Seção DCI Brasil tem como objetivo chamar atenção para os Direitos Humanos da Criança e do Adolescente no contexto do mega evento esportivo. Ao todo, as sete peças trazem trechos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), da Covenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e da Constituição Federal.
Na campanha, a Anced/ Seção DCI Brasil se posiciona contra a exploração e o abuso sexual infantojuvenil, o trabalho infantil, a remoção forçada de famílias nas cidades-sede da Copa, o recolhimento compulsório de crianças e adolescentes em situação de rua, o desperdício de dinheiro público com as obras da Copa, a repressão policial nas manifestações e defende o direito a participação de crianças e adolescentes nos atos públicos contra o mega evento.
As crianças e adolescentes são as vítimas mais frágeis das violações de direitos decorrentes do evento esportivo no Brasil. Antes de a bola rolar, elas foram atingidas pelas remoções forçadas, pelo recolhimento compulsório, entre outros. Com o início dos jogos, elas continuam tendo seus direitos ameaçados. Só em Salvador, nas primeiras 24h da Copa do Mundo, foram registrados 45 casos de violações de direitos de crianças e adolescentes, de acordo com o Observatório de Violação de Direitos de Crianças e Adolescentes em Grandes Eventos, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes) do Governo da Bahia. Entre as violações registradas, trabalho infantil, negligência e violência física.
Em Fortaleza, foram identificadas 95 violações dos direitos de crianças e adolescentes nos seis primeiros dias da Copa do Mundo – de 12 a 17 de junho. Foram registrados 42 casos de trabalho infantil, 10 de negligência/abandono, 17 de situação de rua/ outras, 8 de crianças e adolescentes desacompanhados, 5 de suspeita de violência sexual, três de violência sexual e uma de uso de álcool/drogas.
Também em Fortaleza, 30 pessoas, das quais 11 adolescentes, foram detidos durante protesto antes do jogo entre Brasil e México no dia 17 de junho. Advogados denunciaram a demora de mais de quatro horas para registrar formalmente a ocorrência – período em que os jovens e adolescentes permaneceram detidos. Há também relatos de agressões físicas, como empurrões e puxões de cabelo. Em Belo Horizonte, manifestantes também denunciam agressões na delegacia da cidade. Entre eles, uma repórter da Mídia Ninja afirma ter sido torturada para fornecer a senha de desbloqueio do celular que era usado para transmitir o protesto.
Em Brasília, o Centro Nacional de Direitos Humanos da População de Rua encaminhou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) uma denúncia sobre o desaparecimento de diversas pessoas que viviam nas ruas da capital, especialmente na área central de Brasília. Há também denúncias de recolhimento forçado e violência.
A campanha “Na Copa, não esqueça” é uma das ações do projeto “Red de Coaliciones Sur” que reúne grupos de defesa dos direitos da criança e do adolescentes de cinco países da América Latina – Brasil, representado pela Anced/ Seção DCI Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia. A campanha é cofinanciada pela União Europeia e pela Terre des Hommes Holanda. A Anced/ Seção DCI Brasil também contou com o apoio da rede de comunicadores Mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) que disponibilizou algumas das imagens que compõe a campanha.
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