Na última semana, a coordenadora colegiada da Anced, Denise Campos, participou do Painel “Relação de gênero, megaeventos e exploração sexual” do seminário “A cidade para quem? Crise estrutural do capital e perspectivas de superação”, organizado pelo CEDECA – CE, Comitê Popular da Copa e Diaconia com apoio da Anced/ Seção DCI Brasil em Fortaleza.

Também participaram do painel a ex-prefeita de Fortaleza e integrante do grupo Crítica Radical, Maria Luiza Fontenele , Lídia Rodrigues da Associação Barraca da Amizade e Alice da Associação das Prostitutas do Ceará – APROCE.

A coordenadora da ANCED chamou atenção para esse cenário de megaeventos que o país vivencia, onde muitos se aproveitam para se beneficiar de toda uma lógica de mercado, inclusive o mercado do sexo, que se expande nessas ocasiões. Prevendo um significativo aumento da demanda por serviços sexuais pagos nos jogos da copa, a preocupação é com as crianças e adolescentes, que correm sérios riscos de serem recrutadas pelas redes de exploração sexual.

Tal cenário, levou a ANCED e outras Redes Nacionais de Defesa da Criança e do Adolescente como: Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual, Ecpat Brasil, FNDCA- Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e FNPETI- Fórum Naciona de Prevenção e Erradicação do trabalho Infantil a proporem a construção de uma agenda programática estratégica para fortalecer o Sistema de Garantia de Direitos e enfrentar as múltiplas violações aos direitos de crianças e adolescentes.

Dentre as ações assumidas pelas redes nacionais, representativas da sociedade civil, está o mapeamento dos cenários das 12 cidades sede da Copa 2014, tendo como foco o Sistema de Garantia de Direitos, incluindo as capacidades institucionais de respostas que as organizações governamentais e não governamentais detêm, com vistas a subsidiar a atenção por parte de políticas e ações para a proteção dos direitos de crianças e adolescentes por ocasião dos megaeventos esportivos.

Concluindo, Denise Campos afirmou que o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes exige para além do atendimento de qualidade referente às políticas públicas básicas, é necessário a implementação paralela e contínua de uma política de cidadania, que se contrapõe à cultura do machismo, autoritarismo, clientelismo, à cultura da impunidade, e da prevalência da lógica do capital em detrimento aos direitos humanos de crianças e adolescentes.

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