A Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced/Seção DCI Brasil) realizou nos dias 16 e 17 de junho, a Oficina de Comunicadoras/es dos Centros de Defesa – Anced. A atividade, que reuniu Cedecas de todas as regiões do país, foi realizada virtualmente por conta da pandemia do coronavírus, que impediu a realização dessa atividade de forma presencial.

O encontro trouxe como tema Comunicação como Estratégia na Defesa de Direitos Humanos de Criança e Adolescente. Foi um momento para debater sobre as estratégias e ações efetivas para atuação da Anced e dos Centros de Defesa em relação à comunicação. A oficina contou com a facilitação do jornalista Paulo Lago.

Foi um momento para debater a difícil situação do nosso país, agravada pela situação da pandemia, que tem revertido em graves violações de direitos que vêm afetando crianças e adolecentes.

DEBATES: A programação do primeiro dia teve como destaques as exposições de Celina Hamoy, advogada do Cedeca Emaús-PA e professora de Direito penal, Processo Penal e Direito da Criança e do Adolescente, que abordou a situação no campo da criança e do adolescente e da jornalista Iara Moura, integrante da executiva do Coletivo Brasileiro de Comunicação Social – Intervozes, que trouxe o debate sobre a situação da comunicação no Brasil no atual contexto. Nos debates o consenso de que é importante que a comunicação seja pensada como direito humano.

A advogada Celina Hamoy, do Cedeca Emaús/PA

A advogada Celina Hamoy destacou a preocupação sobre o difícil momento que está passando o país. Segundo ela, não há mais condições de debater sobre positividade de direitos. Por isso não há mais como agirmos com as mesmas estratégias. “Temos que buscar estratégias, como a reaproximação com a comunidade e atuação com as mídias independentes, por exemplo”, explica a advogada.

Já Iara Moura falou sobre a atuação do Intervozes na defesa da comunicação como Direito Humano. Também foram pontos de pauta o controle da radiodifusão no Brasil e a atual situação da Empresa Brasil de Comunicação, seriamente ameaçada de privatização.

A jornalista Iara Moura, do Coletivo Intervozes

Iara também trouxe um tema bem pertinente no contexto da pandemia do Coronavírus, que é a situação da Educação. Apesar dos problemas causados, o Ministério da Educação manteve o calendário regular do ENEM, ampliando ainda mais as desigualdades no ensino. “O Intervozes fez um levantamento sobre as políticas de ensino à distância (EaD) implantadas no período de pandemia, onde nota-se alta presença de corporações internacionais de tecnologia, que dominam a circulação de informações na internet e oportunamente se adaptam à educação digital”, comentou a jornalista.

No horário da tarde do primeiro dia, a discussão foi sobre o Plano Trienal e o Plano de Comunicação da Anced. Teve ainda o relato dos Centros de Defesa sobre como vêm atuando com a Comunicação e os caminhos para serem traçados pela Anced e pelos Cedecas.

No segundo dia, as discussões começaram com discussões sobre a identidade visual da Anced e a realização de uma campanha em defesa dos direitos de crianças e adolescentes prevista para o segundo semestre.

O encerramento da Oficina contou com o debate sobre a Política de Comunicação. Houve a exposição de Rafael Werkema, assessor de comunicação do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS). Ele apresentou a experiência do Conselho na elaboração da Política de Comunicação do conjunto CFESS-CRESS, que está em sua terceira edição.

O jornalista Rafael Werkema, do CFESS

Além de relatar a experiência e o histórico da construção da Política de Comunicação CFESS-CRESS, Rafael enfatizou em sua fala a importância da Política para as ações de comunicação. E também apresentou sugestões para construção de uma política para a Anced. “É necessário que essa política valorize e dê visibilidade às ações da Anced e dos Cedecas. Além disso, que seja instrumento de denúncia sobre a violação dos direitos humanos da infância e juventude e que estabeleça critérios políticos e técnicos sobre as publicações da Anced e dos Cedecas”, destacou Rafael nas contribuições ao debate.

AVALIAÇÃO: Para Djalma Costa, membro da coordenação colegiada, a Anced ousou em reunir a rede de Centros de Defesa para um debate formativo extremamente necessário: discutir a Comunicação na Associação e na Rede de Cedecas. “Os debates trazidos pelas/os convidados trouxeram enfoques importantes que nos auxiliaram na análise de cenários e principalmente nos conduziu de volta a Missão da ANCED, na defesa de direitos humanos de crianças e adolescentes neste País”, destacou.

Djalma destacou também que a transversalidade da comunicação como estratégia na defesa de direitos humanos aguça horizontes por uma sociedade livre de toda forma de violência, preconceito. “E nos aproxima de uma sociedade com justiça e dignidade, caminhando juntos com crianças e adolescentes, filhos e filhas da Classe Trabalhadora”, complementou.

Para dar andamento nos próximos passos, foi criado um grupo de trabalho de comunicação para colaborar com a coordenação da Anced nas ações para os próximos meses.

Parte do grupo que acompanhou a Oficina de Comunicação

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