A Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced/Seção DCI Brasil) apresentou o Relatório sobre o extermínio de adolescentes e jovens no Brasil, elaborado pela Associação, através do GT Letalidade.
Confira o documento: Relatório GT Letalidade Anced
A metodologia utilizada pelo GT Letalidade nesse estudo apresenta a natureza mista ou quantitativa e qualitativa. A coleta de informações ocorreu por meio de duas fontes de pesquisa de dados secundários. A primeira foi através do clipping das notícias indexadas no Google no período de janeiro de 2019 a junho de 2020, sobre a morte de adolescentes em cada estado do território brasileiro. E, a segunda por meio dos dados apresentados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019 e Atlas da Violência 2020, sistematizados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FPSP) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
Salienta-se nesse estudo a importância de evidenciar os dados e ampliar o debate de uma crise civilizatória demarcada pela epidemia de assassinatos da população infanto-juvenil que tem se agravado fortemente nos últimos anos. Além disso, não há ações efetiva do Poder Público que respondam a gravidade do problema.
Depreende-se deste contexto a não priorização de crianças e adolescentes na execução de políticas públicas, como preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 (ECA), na medida em que se observa que a população dessas faixas etárias é a que mais morre e que há a invisibilidade da pauta nas agendas políticas.
Observa-se, a partir dos dados coletados também, que há predominância étnica dos assassinatos de adolescentes pretos e pardos. Apesar desta constatação nas estatísticas publicizadas pelo FPSP, no entanto, há uma invisibilidade da etnia das vítimas nas reportagens em todo Brasil. Tal fato demonstra a descaracterização das vítimas e a falta de discussões sobre a questão racial nos meios de comunicação em massa.
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