Foi realizada nesta quinta e sexta-feira (12 e 13 de agosto), a XXIII Assembleia Geral da Anced, reunindo centros de defesa de todas as regiões do país. Em virtude das restrições ocasionadas pela Pandemia do Coronavírus, a Assembleia foi realizada de forma remota. Ela acontece em um momento em que as principais estratégias de defesa dos direitos de crianças e adolescentes no Brasil estão ameaçadas pelo Governo Federal.
A Assembleia definiu pela recondução da atual coordenação colegiada para o biênio 2021-2023, sendo reeleitos os Cedecas Zumbi dos Palmares (AL), Centro de Defesa Pe. Marcos Passerini (MA) e Interlagos (SP). Para o Conselho Fiscal, foram eleitos os centros Maria dos Anjos (RO), Cedeca Ceará e Cedeca Rio de Janeiro.
PROGRAMAÇÃO
A abertura cultural da Assembleia teve a apresentação do Coletivo Rapem, composto por MC’s de Alagoas, que se uniram para levar o RAP e o HIP-HOP aos diversos públicos. Eles fizeram uma saudação especial aos Centros de Defesa através da arte que utilizam para fazer denúncias, especialmente em relação a violência no dia a dia.
Uma das integrantes do Coletivo, Mari, declamou a música Falsa Abolição (confira letra no final da matéria), de autoria da rapper paulista Preta Rara, que também é arte-educadora, feminista e militante do movimento negro. A rapper se destaca por trazer a realidade das mulheres e do povo negro brasileiro em suas canções.
Depois foi feita uma análise de Conjuntura, com a presença de Luiz Pedernera, presidente do Comitê Internacional dos Direitos da Criança da ONU. Em sua fala, destacou como a pandemia afetou especialmente a realidade para crianças e adolescentes.
Ele enfatizou que é necessário um novo projeto de relações sociais. “Não se pode voltar a uma nova normalidade, quando a situação que se tinha antes da pandemia, era extremamente prejudicial para o público infanto-juvenil”, explicou.
Pedernera ressaltou ainda que a crise da educação foi acentuada com a pandemia. E que é hora de construir uma nova escola: mútua, íntima, renaturalizada e coerente com a realidade. “A criança traz um novo modelo de relações sociais. E é fundamental fazer com que elas não sejam sujeitos descartáveis e sim integrados a sociedade”, finalizou.
A programação da manhã foi concluída com a Exposição sobre a Política e Princípios de Proteção à Criança, realizada por Alex Kamarotos, diretor executivo de DNI Internacional. Ele destacou que as organizações, com seus funcionários, equipe de operacionalização e programas não prejudiquem as crianças e adolescentes.
Kamarotos enfatizou a necessidade das organizações apliquem a política e os princípios na proteção de crianças. E informou que as seções nacionais de DNI devem ter uma política de proteção adaptada a cada realidade.
ÓRFÃOS DA PANDEMIA
A tarde, a programação foi iniciada com a exposição sobre o tema Situação dos órfãos da Covid-19, feita pelo promotor de Justiça da Infância e da Juventude de São Luiz/MA, Márcio Thadeu Silva Marques. Ele abordou o procedimento que vem acompanhando a situação dos órfãos da Covid-19 em situação de vulnerabilidade social e tem atuado na busca de soluções para a demanda, em parceria com o Ministério Público e outros integrantes do Sistema de Garantia de Direitos.
Depois, os Centros de Defesa fizeram um relato da atuação nos anos de 2020 e 2021, destacando os projetos desenvolvidos e as repercussões da atuação em período de pandemia. A programação da Assembleia continuou no segundo dia com relatos de outros Centros de Defesa.
A Anced/Seção DCI Brasil, tem intensificado através de seus Grupos de Trabalho as parcerias com outras redes e coalizões nacionais, locais e regionais visando o fortalecimento dos mecanismos de incidência político e jurídico visado amenizarem os impactos nocivos e letais na vida das/os Filhas/os da Classe Trabalhadora no País de modo particular nos Estados onde a Rede de Cedecas se fazem presentes.
Falsa Abolição
Preta Rara
Meninas negras não brincam bonecas pretas! Pretas!
Tô cansada do embranquecimento do Brasil
Preconceito racismo como nunca se viu
Meninas negras não brincam com bonecas pretas
Foi a Barbie que carreguei até a minha adolescência
Porque não posso andar no estilo da minha raiz
Sempre riam do meu cabelo e do meu nariz
Na novela sou empregada
Da globo sou escrava
Não me dão oportunidade aqui pra nada
Sou revolucionária negra consciente
Não uso corpo, eu não me mostro eu uso a mente
Só afro descendente você vai ter que me aceitar assim
Cabelo enraizado é bom pra mim
Patrão puto que não me contrata na sua empresa
Porque não tenho olho claro, ele não me aceita
Eu entro no seu comércio
Eu gasto, eu consumo
Ai você me aceita
Isso é um absurdo
Dinheiro não tem cor, mais pra trabalhar tem
Há muitos negros vencedores
Eu digo amém
Negra mudando de cor não é normal
Pra poder ser aceita no país do real
Não troco minha raça
Por nada essa é minha casa
Mais uma negra militante mostrando a cara
Branco correndo tá atrasado
Preto correndo tá armado
E é tiro da policia para todos os lados
Genocídio cresce no meu povo negro
Porque temos que morrer
Só porque somos pretos
Policia racista, raça do diabo
Estão nas ruas correndo
Pra todos os lado
Com sangue no olho, em desespero
Pego o negro estudante e fala que é suspeito
20 de novembro, não nasceu por acaso
Zumbi Palmares lutou e foi executado
Teve sua cabeça cortada, salgada e espetada
Num poste em Recife na luta pela causa
Sou quilombola, descendente do guerreiro Zumbi
Não é você sistema opressor
que vai me impedir de sorrir
13 de maio a Falsa Abolição, dos escravos
A princesinha nos livrou e nos condenou
O sistema fez ela passar como adoradora
Não nos deu educação e nem informação
Lei do sexagenário ai foi tiração
Libertaram os negros velhos, sem nenhuma condição
Lei do Ventre livre ou do condenado
Pequenos negros sem pai, para todos os lados
Na escola não aprendi
Aprendi na escola da vida
Estudei me informando atrás de sabedoria
Nossa cultura esquecida
Apagada e queimada
Na escola nunca ouvir
Falar de Dandara
Somos obrigados aprender o que é de fora
Europa Oriente, essa cultura não é nossa
Discriminam as religiões afro brasileira
Falando que é do diabo
Que é coisa feia
Mais temos que se mexer para acreditar
Pra obter conquista é preciso reivindicar
Meninas negras
Não brincam com bonecas (refrão)
Somos todos iguais
Porque você me rejeita





