Meninas ganham campanha mundial pela permanência na escola. Brasil tem 502 mil domésticas entre 10 e 19 anos, segundo o IBGE.
Oficializado em dezembro de 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional das Meninas é uma campanha mundial por direitos da menina, que busca promover suas potencialidades por meio da superação da discriminação baseada em gênero, desenvolvendo suas competências, habilidades e conhecimentos.
A campanha “Por Ser Menina” (Because I AM a Girl, em inglês) foi criada pela organização não-governamental Plan International, a campanha terá duração de cinco anos e pretende afetar positivamente a vida de 4 milhões de meninas em todo o mundo.
O cruzamento de diversos estudos da ONU mostra que, entre a população mais pobre do planeta, as mulheres são as que mais sofrem com a fome, o desemprego, a falta de educação e a autonomia sobre seus corpos e futuro. Para tentar reverter o destino desfavorárel ao qual milhões de crianças estão fadadas apenas por serem do sexo feminino, a campanha Por ser Menina será lançada nesta hoje (11 de outubro) simultaneamente em diversas cidades do mundo.
As meninas têm situação de desvantagem. Mesmo que estejam matriculadas na escola, quando chegam em casa, elas vão fazer trabalho doméstico, enquanto os meninos vão brincar e fazer lição de casa, afirmou Anette Trompeter, gerente geral da Plan International no Brasil, na manhã desta quarta-feira, em evento de apresentação da campanha, em São Paulo.
A diferença de oportunidades entre meninos e meninas está retratada em números oficiais. Estatísticas mundiais de agências da ONU, compiladas pela Plan International, mostram que 75 milhões de meninas não frequentam a escola, uma em cada três mulheres é impedida de entrar no ensino secundário, uma em cada sete meninas, com menos de 15 anos, é forçada a se casar, e 150 milhões de meninas já foram vítima de estupro ou violência sexual (o dobro do número de meninos).
Brasil
A edição mais recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o Brasil tem mais de meio milhão de meninas e adolescentes entre 10 e 19 anos ocupadas na categoria de trabalhadoras domésticas.
Segundo a Plna, no Brasil, a taxa de gravidez precoce em meninas de 14 a 17 anos matriculadas na escola varia entre 5% e 6%, mas esse número chega a 30% no universo de meninas adolescentes fora da sala de aula. Meninas que permanecem na escola têm menos chance de enfrentar uma gravidez na adolescência e mais probabilidade de investir em suas comunidades
Investimento e desenvolvimento
Por outro lado, dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que investir na educação de mulheres dá retorno não só para elas e suas filhas, mas também na comunidade em que vivem. A cada ano que a aluna permanece na escola secundária, seu potencial de renda cresce de 15% a 20%. Além disso, o aumento de 1% da frequência das meninas na educação secundária promove um acréscimo de 0,3% no Produto Interno Bruto (PIB) de um país.
Para estimular a educação de qualidade tanto para meninos e meninas, a Plan realiza atualmente projetos no Brasil para 75 mil crianças -cerca de metade são meninas- no Maranhão, em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Há seis anos, a Plan começou a acompanhar a vida de 144 meninas recém-nascidas em nove países (dez delas são brasileiras). Duas delas acabaram morrendo na primeira infância, e as 142 que ainda participam do estudo hoje têm seis anos.
Os dados qualitativos coletados com as meninas, suas famílias e suas comunidades servem para ilustrar a realidade delas e as mudanças percebidas entre essas crianças e suas mães.
A campanha pretende atingir diretamente, nos próximos cinco anos, outras 35 mil meninas com iniciativas da campanha. A iniciativa inclui intervenções políticas junto às secretarias municipais e estaduais de educação, a mobilização e conscientização da sociedade e a realização de pesquisas.
Fonte: Portal dos Direitos da criança e do Adolescente